07 de janeiro de 2019

Ex-aluna do Colégio Sapiens promove intercâmbio entre universidades do Brasil e Alemanha sobre pesquisa inédita

A pesquisadora conta como o incentivo dos professores foi fundamental para seguir carreira na área e como sua pesquisa aproximou a relação entre as universidades dos dois países

Huayna Terraschke em visita ao Colégio e curso Sapiens com o filho

Huayna Terraschke começou a estudar no Colégio e Curso Sapiens – na época Objetivo – em 1992, da Educação Infantil; e seguiu na escola até o 2ª série do Ensino Médio. Formada em Engenharia Química, hoje Huayna é PhD em Química Inorgânica e coordena um grupo de pesquisa na Universidade de Kiel – Instituto de Química Inorgânica Christian-Albrechts-University Kiel, na Alemanha, onde desenvolveu um método pioneiro de análise de reações químicas, que tem sido destaque no mundo. No Brasil para promover um intercâmbio entre pesquisadores dos dois países, ela aproveitou para visitar a família em Rondônia e a instituição onde ela passou a maior parte da vida escolar e recebeu desde cedo incentivo para desenvolver suas habilidades na área de Exatas.

Huayna conta que sempre gostou muito de Química, Matemática e Física e que seus professores sempre a incentivaram ao perceberem sua afinidade com as matérias. “Eles me davam tarefas a mais para fazer, tarefas mais difíceis para levar pra casa e me cobravam muito, o que ajudava bastante; e aí foi fortalecendo essa área de exatas”, relata, citando os professores Rochester de Castro, que até hoje leciona na escola, e outros dois professores da época, Terezinha e Charles.

Uma passagem na formatura da Educação Infantil marcou a ex-aluna por demonstrar, já naquela época, sua afinidade com os números. “Iam tirar foto dos alunos para exibir num telão no dia da formatura e quem ia terminando a atividade de matemática seguia para tirar a foto. Eu fui a primeira a terminar. É a primeira lembrança que eu tenho da minha aptidão com a matemática”, relembra Huayna.

Para ela, seu gosto pelos números e o incentivo dos professores para desenvolver estas habilidades foram fundamentais para a sua escolha profissional. “Quando fui escolher a profissão, escolhi um curso em que eu podia utilizar todo meu conhecimento em química, física e matemática”, conta Huayna, que foi aprovada em Engenharia Química na Universidade Federal de Santa Catarina. Lá ela conheceu o trabalho no laboratório e se apaixonou. “Gostei tanto que transferi, depois, o doutorado para a área onde poderia trabalhar mais em laboratório”. Foi nesse período que se mudou para a Alemanha, fez pós-dourado e hoje orienta um grupo e pesquisa com 9 alunos de bacharelado, mestrado, doutorado e pós-doutorado na Universidade de Kiel, ao Norte da Alemanha, o Instituto de Química Inorgânica Christian-Albrechts-University Kiel.

Pesquisa Pioneira

Huayna Terraschke desenvolveu um método novo de análise para estudar mecanismos de reações químicas. “Como a química é desenvolvida hoje, nas mais altas tecnologias que conhecemos, para fazer o leds, materiais luminescentes, usados para fazer os displayers nos nossos smartphones ou computadores, por exemplo, a gente nem imagina como esses materiais são feitos, como são desenvolvidos. Num método básico, a gente mistura os reagentes e aí espera que forme um produto, mas é muito raro estudar, realmente, o processo que acontece durante a reação química. O nosso método analisa não só depois que a substância está pronta, mas a gente faz a análise química durante todo o processo, num sistema que a gente chama in situ”, explica a PhD.

O trabalho pioneiro de Huayne foi submetido para a fundação de pesquisa da Alemanha e para a Fundação de Pesquisa de São Paulo (Fapesp), tendo um financiamento de € 80 mil aprovado para organização de duas conferências, uma em Kiel e outra em São Paulo, com passagens para 17 professores pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Universidade Estadual Paulista (Unesp), Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), e do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron de Campinas, pra Universidade de Kiel em Julho.

No início de dezembro foi a vez dos pesquisadores alemães, 12 no total, virem ao Brasil para conferência realizada na USP, de 4 a 9 de dezembro, a fim de promover um intercâmbio entre físicos, químicos e engenheiros dos dois países.

Foi nessa oportunidade que Huayne aproveitou para retornar a Porto Velho para visitar a família e sua escola da infância. “Queria mostrar para meu filho e meu marido [ambos alemães] o local onde estudei”, conta.

Ao revisitar a escola, as lembranças de infância e o caminho percorrido até chegar onde está hoje, a pesquisadora relembra da importância de seus professores nesse processo. “O trabalho que a gente desenvolve hoje na Alemanha é pioneiro, recebe muita atenção da imprensa e está virando um negócio grande. É um projeto de pesquisa completamente novo, de análise química, começando a implementar em outros grupos na Alemanha e no mundo. Quem sabe se eu não tivesse recebido tanto incentivo do Rochester, do Charles e da Terezinha, eu não tivesse chegado onde estou hoje”, diz Huayne, reforçando a importância dos professores que, desde cedo, perceberam sua aptidão e a incentivaram a desenvolver suas habilidades.

Para saber mais sobre os trabalhos desenvolvidas por Huayne, acesse o site da pesquisadora: https://www.ac.uni-kiel.de/de/bensch/forschungsgebiete/ilacs/

Assessoria de Comunicação

Compartilhe